Os reflexos da greve dos caminhoneiros se espalharam por todo o país, muito além dos pontos de bloqueio nas rodovias. E esses efeitos são variados. As ações da Petrobrás caíram no Brasil e no exterior, o comércio sofrendo com a forte redução nas vendas, pessoas com viagens marcadas há meses tendo voos cancelados, produtos antes encontrados facilmente nas prateleiras se tornando cada vez mais escassos, escolas e faculdades com aulas suspensas. Foi preciso adotar a escolta militar para garantir o abastecimento de combustível para serviços essenciais como hospitais, empresas de ônibus e viaturas policiais.

Muita gente correndo para os postos para encher o tanque do carro e essa procura tem causado sérios transtornos. Motoristas querendo “furar fila”, ou levando galões para estocar combustível sem se preocupar com a possibilidade de faltar o produto para as demais pessoas. Briga, desequilíbrio. Um festival de desrespeito às leis que tiram o direito de ir e vir da própria população.

A causa dos caminhoneiros é justa, porém a questão é que os fatores que verdadeiramente nos levaram a esta situação não são os combustíveis, mas o fato do país ter uma carga tributária elevadíssima e isso não é atacado. Ou seja, os privilégios do setor público e político, o déficit da previdência e o elevado nível de corrupção. Enquanto isso não for atacado continuaremos vivendo em um país mergulhado nessa situação de dificuldade.

Fico a me perguntar como estas pessoas que se dizem solidárias à causa dos caminhoneiros se comportarão enquanto eleitores nas próximas eleições. Pelas pesquisas atuais imagino que da mesma forma de sempre: votando nos mesmos grupos políticos e familiares de quem já passou a vida comandando os rumos da nossa política. Outros que levantam a bandeira do movimento “somos todos caminhoneiros”, mas recebem contracheques do poder público sem a devida prestação de serviços.

É claro que não se pode negar o direito de protesto e de reivindicação que é legítimo e imprescindível para a democracia. O que defendo é que eles ocorram de forma coerente e contra os verdadeiros culpados, sem sacrificar ou penalizar a população que já é massacrada, diariamente, por políticas desastrosas, desordens e erros administrativos.

Só se pode mudar a realidade que tanto incomoda com o voto. Nas urnas. E as eleições deste ano estão batendo à porta, é logo em outubro. O povo tem esse poder! Não é fazendo baderna, arriscando vidas e tirando o direito de ir e vir da população que se vai conseguir transformar as coisas.

Toda revolta para mim só faz sentido se convergir numa mudança verdadeira. Querer solução na marra sem que passe pela urna… Para mim fica impossível acontecer.

Artur Bolinha

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