Sessão Extraordinária Plenário Ulysses Guimarães Dep. Jair Bolsonaro Foto: Beto Oliveira 30.06.2011

Josias de Souza

O ex-deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto admite em conversas privadas que analisa a hipótese de empurrar o seu PR para dentro de uma coligação encabeçada pelo presidenciável Jair Bolsonaro. Seduzido pelo bom desempenho de Bolsonaro nas pesquisas, Valdemar forneceria ao candidato algo que seu partido, o nanico PSL, não tem condições de prover: minutos de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Não é a primeira vez que Valdemar se achega a Bolsonaro. No ano passado, ele tentou criar um partido para abrigar a candidatura presidencial do capitão da reserva do Exército. A legenda se chamaria Muda Brasil. O projeto foi sepultado pelo TSE, que negou, por 5 votos a 1, o pedido de registro do novo partido.

Embora Valdemar já opere no mercado partidário como dono do PR, o Muda Brasil seria uma segunda porta de acesso do personagem às verbas do Fundo Partidário e à vitrine eletrônica da propaganda partidária. São duas mercadorias valiosas em períodos pré-eleitorais.

O pedido de registro da nova legenda fora protocolado no TSE em dezembro de 2015. Nessa época, Valdemar e seus correligionários não haviam colecionado o número mínimo de apoiadores exigido pela lei. Embora a lista de adesões tenha sido complementada ao longo dos últimos dois anos, a maioria dos ministros do TSE entendeu que deveria aplicar a lei de forma draconiana.

Assim, o tribunal optou por levar em conta apenas as assinaturas apresentadas na data do protocolo. Pesou na decisão o número excessivo de partidos já existentes no Brasil. Afora as três dezenas de legendas que aguardam na fila do TSE pela emissão de uma certidão de nascimento, há no país 35 partidos.

Desde a negativa do TSE, Valdemar vagueia pelo espectro político à procura de um bom negócio. Já manteve conversas com Geraldo Alckmin (PSDB), Rodrigo Maia (DEM) e Michel Temer (PMDB). Mas nenhum dos interlocutores consegue, por ora, roçar o potencial eleitoral de Bolsonaro, que ocupa a primeira colocação nos cenários em que a candidatura do favorito Lula é descartada.

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