Marun toma posse como ministro e diz que abre mão da reeleição

 

No discurso de posse, Marun agradeceu a Deus e, em seguida, ao presidente Temer “pela confiança”, e aos colegas deputados, “especialmente do PMDB”

Após ter a posse adiada por duas vezes devido a estratégias políticas e a problemas de saúde do presidente Michel Temer (PMDB), o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) assumiu nesta sexta-feira (15) como ministro da Secretaria de Governo.

No discurso de posse, Marun agradeceu a Deus e, em seguida, ao presidente Temer “pela confiança”, e aos colegas deputados, “especialmente do PMDB”. Ao cumprimentar o antecessor, chamou Imbassahy de “amigo” e ressaltou a importância da família, que compareceu em peso à solenidade.

O ministro disse entender que, nos quase três anos como deputado federal, conquistou a confiança dos aliados e o respeito dos opositores. “Eu sei que é um desafio [assumir o ministério]. E por que estou aceitando? Porque acredito no governo Temer e me sinto extremamente motivado por vossa coragem e determinação. Vejo no senhor [Temer] um homem determinado a fazer desse momento ímpar da história nacional e aquilo que o Brasil precisa. Por isso, abro mão da minha reeleição para estar ao seu lado, caso seja a vossa vontade”, declarou.

Para tentar a reeleição em 2018, Marun teria que deixar o cargo em abril de 2018. Se abrir mão da reeleição, pode continuar ministro até o final do ano.

“Vossa excelência para mim é a personificação de se fazer política com honra e dignidade.” Ele também aproveitou o discurso para defender a reforma da Previdência. “Nesse momento, o maior dos desafios é a reforma da Previdência, e eu assumo esse desafio consciente disso.”

Marun lembrou do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), companheira de chapa de Temer, e se disse um dos protagonistas do processo no Congresso Nacional. O novo ministro era um dos aliados mais próximos do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por aceitar a abertura do processo no Congresso.

Em sua fala, Temer também elogiou o trabalho do Imbassahy e disse estar grato a ele. Ao se referir ao novo ministro, o presidente chamou Marun de “orador destemido”, que já deu prova cabal de sua capacidade de “construir pontes”.

“Já vínhamos contando com a energia e determinação do Marun na Câmara. […] A atuação na Câmara do Marun foi fundamental para aprovar medidas que estão gerando empregos no país”, disse, sem falar da forte atuação dele para barrar as denúncias contra Temer apresentadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Posse ocorreu após adiamentos

A solenidade aconteceu no Palácio do Planalto com a presença de Temer que chegou a Brasília no início da tarde após passar dois dias internados. Mais cedo, no Twitter, o mandatário afirmou estar de volta ao trabalho “com toda disposição”. Esta foi a primeira agenda pública de Temer após a cirurgia.

Nos bastidores, o nome de Marun na função já era dado como certo desde meados de novembro. Momentos antes da posse do ministro das Cidades, Alexandre Baldy (sem partido-GO), no final do mês passado, a transferência de cargo a Marun chegou a ser anunciada no perfil oficial do Planalto no Twitter.

No entanto, houve a necessidade de se manter o agora ex-ministro Antonio Imbassahy (PSDB-BA) para que o governo não perdesse mais votos dos tucanos a favor da reforma da Previdência – que acabou postergada para fevereiro por falta de apoio. Imbassahy pediu exoneração em 8 de dezembro e retorna ao mandato na Câmara dos Deputados.

Na semana passada, assessores de Temer anunciavam a posse de Marun para esta quarta (13). Porém, o presidente teve de ser operado para desobstruir o canal uretral em São Paulo e o evento foi adiado para esta sexta.

Antes dos discursos, Temer quebrou o protocolo e desceu do púlpito para cumprimentar a mãe de Marun, que estava na primeira fileira de convidados na plateia.

Último ato e próximos desafios

Nesta quinta, no último ato na função de deputado, Marun entregou o relatório final à CPI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) em que pede a investigação da conduta do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e de seu ex-chefe de gabinete, Eduardo Pelella. Ele também pediu o indiciamento do ex-procurador Marcelo Miller, dos irmãos Joesley e Wesley Batista e do ex-operador da J&F Ricardo Saud.

Em uma primeira versão do relatório, chegou a recomendar o indiciamento de Janot e Pelella, mas recuou após repercussões negativas e a impossibilidade de que o documento fosse aprovado pelos demais membros do colegiado.

Na avaliação de Marun, o acordo de delação premiada dos executivos com a PGR (Procuradoria-Geral da República) foi feita de maneira suspeita com o cometimento de diversos crimes, como corrupção ativa, improbidade administrativa, uso indevido de informação privilegiada e manipulação do mercado.

O principal próximo desafio de Marun como ministro da articulação política do Planalto é reunir os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência. Por enquanto, o governo calcula ter de correr atrás ainda de 50 votos. A votação está prevista para 19 de fevereiro, segundo informou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Depois das mudanças na aposentadoria, Marun terá de trabalhar pela aprovação da simplificação tributária. Esta matéria, porém, não deve render tantas polêmicas e deve passar mais facilmente no Congresso.

Uol

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