Nova aérea no Brasil dá desconto de 40% na Argentina; teremos o mesmo aqui?

 

Por Vinícius Casagrande

A Norwegian Air recebeu nesta quarta-feira (8) autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para voar para o Brasil. A primeira companhia aérea internacional de baixo custo a operar no país fará voos entre o Brasil e o Reino Unido. Os voos devem começar somente no próximo ano, mas a empresa não divulgou ainda quais as rotas exatas nem os valores das passagens.

A Norwegian, de origem norueguesa e com sede na Inglaterra, é a terceira maior empresa de baixo custo da Europa (atrás da irlandesa Ryanair e da britânica Easyjet), com uma frota de 136 aviões e 153 destinos. A empresa começou a voar no início do ano entre Londres (Reino Unido) e Buenos Aires (Argentina).

Se praticar no Brasil a mesma política de preços que tem na Argentina, as tarifas dos voos para a Europa podem sofrer uma forte queda quando a companhia der início às suas operações no país.

O blog Todos a Bordo fez uma pesquisa de preços em três datas diferentes para voos de ida e volta com saída de Buenos Aires para Londres. Em todas elas, os preços praticados pela Norwegian foram bem inferiores ao da concorrência. A diferença de preço chega a 40%.

Ida 11/9 e volta 24/9

Norwegian: R$ 3.752 (voos diretos)
British Airways: R$ 6.321 (voos diretos)
American Airlines e British Airways: R$ 4.795 (voos com conexão em Miami e Orlando, nos EUA)
Nas mesmas datas, o voo direto entre São Paulo e Londres (ida e volta) custa R$ 6.644 na Latam e R$ 6.863 na British Airways

Ida 9/10 e volta 22/10

Norwegian: R$ 3.589 (voos diretos)
British Airways: R$ 4.892 (voos diretos)
Air Europa: R$ 4.771 (voo com conexão em Madri)
Nas mesmas datas, o voo direto entre São Paulo e Londres (ida e volta) custa R$ 5.531 na Latam e R$ 4.358 na British Airways

Ida 22/12 e volta 1º/1

Norwegian: R$ 5.232 (voos diretos)
British Airways: R$ 8.277 (voos diretos)
Turkish Airlines: R$ 4.816 (voos com conexão em São Paulo e Istambul)
Nas mesmas datas, o voo direto entre São Paulo e Londres (ida e volta) custa R$ 4.956 na Latam e R$ 6.362 na British Airways

Interior do Boeing 787 da Norwegian que deve ser usado nos voos para o Brasil (Divulgação)

Empresa afirma que tarifas atuais no Brasil estão altas

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, após receber a autorização da Anac, a Norwegian afirma que os voos entre Brasil e Reino Unido têm competição limitada e altas tarifas.

“Estamos felizes de receber a permissão das autoridades brasileiras para voar entre o Brasil e o Reino Unido. O Brasil tem um grande potencial, e acreditamos que novas tarifas de baixo custo permitirão que mais pessoas viajem, aumentando o turismo e as economias locais. As conexões atuais entre o Reino Unido e Brasil são caracterizadas por altas tarifas e competição limitada”, afirma a empresa em comunicado.

O professor de finanças do Ibmec Giacomo Diniz afirma que a entrada da Norwegian no Brasil tem potencial para mexer com todo o mercado de aviação no país. “Quando a Gol entrou, ela ficou conhecida como a empresa da barrinha de cereal. Mas a verdade é que, até então, viajar era um artigo de luxo. Ela chegou para mexer com o mercado, e agora a entrada da primeira companhia low-cost internacional tem o mesmo potencial”, afirma.

Diniz diz acreditar que o fato de a empresa ter citado em seu comunicado as altas tarifas praticadas nos voos entre Brasil e Reino Unido é uma demonstração de que deve chegar ao país com preços mais agressivos para conquistar o mercado brasileiro.

“Eles devem ter feito a lição de casa, calculando seus custos operacionais, acrescentando os custos do Brasil e sua margem de lucro para chegar ao valor que acreditam que podem praticar. Ao olhar a concorrência, chegaram à conclusão de que conseguem um preço melhor”, afirma.

Ministro do turismo comemora autorização

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, comemorou o decreto da Anac que autoriza a Norwegian a operar no Brasil. “A operação da Norwegian Air representa um importante passo na internacionalização do turismo brasileiro. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, o transporte aéreo ganha ainda mais relevância. Por isso, é fundamental que o Congresso Nacional ajude na modernização das regras do setor”, afirmou, em nota.

O ministro cita como principal medida necessária para o desenvolvimento da aviação no Brasil a aprovação do projeto de lei que tramita no Congresso Nacional para a liberação de 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas que operam no país. A medida permitiria, por exemplo, que a Norwegian e outras companhias aéreas de baixo custo criassem até mesmo uma subsidiária no país para voos domésticos.

“Na avaliação do Ministério do Turismo, a medida aumenta a competitividade do turismo nacional na medida em que permite a ampliação da oferta e a consequente redução do custo de passagens”, afirma a nota. O projeto chegou a ser discutido na última terça-feira (7), mas foi retirado da pauta antes de ser votado.

UOL 

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