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Política

Bolsonaro recebe irmão de petista assassinado no Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro recebeu na tarde desta quarta-feira o irmão do guarda municipal Marcelo Arruda, petista assassinado durante sua festa de aniversário por um apoiador do presidente. José Arruda chegou ao Palácio do Planalto acompanhado do deputado federal Otoni de Paula (MDB – RJ), que mediou o encontro.

 

Marcelo Arruda foi assassinado durante a sua festa de aniversário com a temática do PT, em sua casa em Foz do Iguaçu (PR). Ele foi candidato a vice-prefeito na chapa do partido de 2020 e era militante da legenda. O tema da comemoração teria sido o motivo para um simpatizante de Jair Bolsonaro interromper o evento e atirar contra Arruda, acusa o partido.

Em entrevista à colunista Bela Megale, Pâmela Suellen Silva, viúva de Marcelo, disse que vê uso político de tragédia por Bolsonaro. Disse, também, que o presidente procurou apenas parte da família, que apoia o presidente.

— Acredito que Bolsonaro está preocupado com a repercussão política, porque, tanto no vídeo que fez no cercadinho como no que conversa com os irmãos do Marcelo, Bolsonaro diz que estão tentando colocar a culpa nele — afirmou Pâmela à coluna.

Durante a conversa que teve com os dois irmãos, Bolsonaro disse que a imprensa e a esquerda têm procurado jogar a culpa do caso sobre ele.

— Possivelmente, estão preocupados só com a própria imagem — comentou Pâmela.

Ao GLOBO, José Arruda já defendeu o presidente e afirmou que ele não “aceita” violências como a que aconteceu com seu irmão.

— Ele não aceita esse tipo de coisa, essa violência. As pessoas estão usando o nome dele, e ele não aceita esse tipo de atitude.

Na saída do encontro, que durou pouco mais de uma hora, José Arruda não quis falar com a imprensa. O deputado Otoni de Paula, no entanto, afirmou que tentou contato com todos os familiares, incluindo a viúva de Marcelo, mas não havia “clima”.

— Sim, tentamos procurar, tentamos procurar, mas só que não havia clima pra isso.

Segundo o relato do deputado, Bolsonaro mudou o tom das declarações sobre o ocorrido. Ele teria prestado solidariedade à família e disse que a única vítima no caso era o Marcelo.

— O presidente colocou muito claro de que só há uma vítima nesse caso, que é o Marcelo. Ele era o dono da festa. Quem chega na festa para cometer o ato de violência é quem é o único responsável pela violência, e não o Marcelo. Isso ficou claro — disse Otoni.

Otoni reforçou que o convite do presidente não se tratava de um ato político. Afirmou, também, que o irmão entendeu que o encontro seria “simbolicamente importante para a família”. O deputado, no entanto, disse que não tinha informação se a família toda concordava com a viagem de José à Brasília.

—A intenção dele em vir aqui era ouvir o presidente e estar ao lado do presidente quando o presidente taxativamente condenaria esse ano. Ele entende que isso simbolicamente é importante para a família dele, é por isso que veio aqui para essa reunião com o presidente da república. E sai daqui satisfeito — disse Otoni.

O deputado ainda afirmou que consideravam o caso “encerrado”, mas que era importante esclarecer pontos em aberto, caso ainda haja algum, para o “bem das próximas eleições”.

—O balanço que a gente faz é que esse caso nós damos como encerrado. Porém, esperamos que a Justiça seja feita, e se houver mais alguma coisa nesse caso que não foi esclarecido, que seja esclarecido, para o bem das próximas eleições, para que esse clima de violência não prevaleça no Brasil de forma nenhuma

Otoni ainda ressaltou que José Arruda não considera o presidente “responsável” por incitar atos de violência como o que aconteceu com Marcelo. Bolsonaro foi criticado por declarações que poderiam incitar a violência, como a vez que falou sobre “fuzilar a petralhada”.

—O que ele disse ao presidente da República é que ele só estava presente nesta reunião porque ele não considera que o presidente da República tenha sido responsável pelo ato de violência que aconteceu. A partir do momento que ele acreditasse que o presidente fosse responsável por este ato de violência contra o próprio irmão dele, próprio sangue dele, de maneira nenhuma ele estaria aqui para ouvir qualquer ato de solidariedade daquele que possivelmente tenha incentivado este crime.

Otoni ainda foi questionado sobre Bolsonaro ter cobrado a responsabilização de um integrante da festa que chutou o assassino de Marcelo, o Jorge Guaranhos. O deputado disse o presidente soube que o responsável era na verdade um bolsonarista, e não um apoiador do PT, e que se retratou e reconheceu que “aquela fala” foi sem a “devida informação”.

—O presidente, inclusive, se desculpou por esse fato [durante a reunião de hoje], porque a primeira informação que ele tinha – errada – e que eu disse a ele a verdade também, e o José também falou, que aquele ato, o chute, depois, não foi um ato provocado por um petista, foi um ato de um amigo do Marcelo bolsonarista. E nessa reunião, então, o presidente se retratou com ele e reconheceu de que aquela fala dele foi uma fala sem a devida informação verdadeira.

O Globo

Redação Página1 PB
Fundado em junho de 2017, o Página1 PB é um portal de notícias sediado em Campina Grande (PB), que tem compromisso com o verdadeiro jornalismo. Afinal, o Jornalismo mudou. Mas a verdade não!