20 de janeiro de 2022
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A Espanha acaba de decretar fim a pandemia e considera ômicron como uma gripe comum. Todas as restrições foram retiradas!

Enquanto a população está massivamente vacinada e a maioria dos casos são assintomáticos, o ministro da Saúde quer abrir discussões com parceiros europeus sobre uma nova estratégia de enfrentamento à Covid-19. Propõe um sistema de vigilância semelhante ao vigente para as epidemias de gripe sazonal.

Vá de gerenciar uma pandemia para gerenciar uma endemia. É o que defende a ministra espanhola da Saúde, Carolina Darias. Enquanto a onda de contágio ligada à variante Ômicron parece estar a abrandar na Península Ibérica, é tempo, segundo ela, de abrir caminho para uma mudança de estratégia.

Exige a configuração de um novo sistema de vigilância de contágio nas várias regiões espanholas. Mas acima de tudo, ela quer lançar o debate com os vizinhos europeus, apelando ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) para estudar diferentes estratégias e “abrir novos horizontes”.

“Vigilância de melhor qualidade”

“Troco e dialogo muito com meus colegas europeus, que também veem a necessidade de abrir novos horizontes. Devemos passar da vigilância de emergência para uma vigilância de melhor qualidade, comparável à de outros fenômenos respiratórios”, explicou ela na noite de quarta-feira.

Essas declarações foram recebidas com relutância, considerada prematura por boa parte dos médicos e epidemiologistas, a Espanha passando por um pico de contágios por causa das comemorações de fim de ano. Porém, a ideia de Madrid é precisamente que esta onda seja a última a ser gerida desta forma, e que adote um novo sistema de monitorização, mais próximo do que vigora para as epidemias de gripe sazonal.

Mesmo sistema de vigilância da gripe

Enquanto a grande maioria das pessoas infetadas permanece assintomática e as internações afetam principalmente populações já em risco, é tempo de reorientar o sistema de vigilância sanitária e redefinir os parâmetros, defende o ministro. “É preciso estudar a possibilidade de um novo sistema de vigilância da Covid”, implora.

De fato, algumas regiões começaram a avançar nessa área, e o Centro Nacional de Epidemiologia já preparou um plano piloto que pode marcar o fim da testagem sistemática. A ideia seria trabalhar a partir de avaliações estatísticas, aplicando o sistema de vigilância aplicado à gripe à Covid-19, com uma rede de médicos vigilantes que servem de testemunhas para avaliar a evolução do vírus.

Para Carolina Darias, este é o momento de abrir o debate com os parceiros europeus, “para determinar as melhores opções para lidar com uma doença pandémica que vai adquirindo gradualmente características endêmicas”.

Sistema de saúde sobrecarregado

Entretanto, o país continua a registar registos de contágio, com uma incidência superior a 3.000 casos por 100.000 habitantes ao longo de catorze dias. Os serviços hospitalares estão sob pressão, com 23,5% dos leitos de terapia intensiva ocupados por pacientes de Covid.

A urgência para os sindicatos da equipe de enfermagem é reduzir os congestionamentos no sistema de saúde pública sobrecarregado e com falta de pessoal. Os centros de saúde de bairro estão na linha de frente, sobrecarregados pelos pedidos de paralisação do trabalho e pelo fluxo de pessoas que chegam para fazer o teste, com ou sem sintomas. Os clínicos gerais denunciam o trabalho em cadeia, às vezes com a carga de cem pacientes por dia.

Les Echos

Redação Página1 PB
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