24 de outubro de 2021
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Cidades

Na UEPB documentário “1964: O Brasil entre armas e livros” é proibido de ser exibido e debatido

Ditadura ou democracia? Esse é o assunto atual no Campus I da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, em Campina Grande. E essa pergunta não se trata especificamente do teor de um documentário, mas de atos e omissões da universidade estadual e “pública”.

A direção do Curso de Geografia através do Centro de Integração Acadêmica – CIAc da UEPB proibiu que os seus acadêmicos exibissem e realizassem um debate sobre o documentário: 1964, O Brasil entre armas e livros, produzido pela organização Brasil Paralelo. A decisão teria sido tomada após ações orquestradas pelos representantes dos centros acadêmicos da universidade.

O grupo de estudos ‘Estudantes Pró-Liberdade‘, composto por acadêmicos dos cursos de Administração, Geografia, História e Jornalismo teriam feito a solicitação, junto a coordenação do CIAc – Centro de Integração Acadêmica, a liberação do Auditório I para exibirem no dia 02/04, às 18h, o documentário: 1964, O Brasil entre armas e livros e em seguida realizarem um debate acadêmico sobre o longa-metragem com a participação do professor Pedro Augusto, do Instituto Borborema de Campina Grande. Por sua vez, a coordenação teria encaminhado um memorando ao Departamento de Geografia, que por fim teria acatado o pedido.

A confirmação do deferimento de uso do espaço ocorreu no dia 13/03, através do MEM. nº 0103/2019/UEPB/PROINFRA/PROINFRA-CIA e os acadêmicos iniciaram uma série de anúncios e panfletagens referentes ao evento. Por outro lado, segundo um membro que administra um Conselho dos CA’s da instituição – que é constituído por 19 Centros Acadêmicos -, existia o interesse de seus representantes em censurar a exibição do longa. Por conseguinte, houve uma votação para decidir se todos os centros acadêmicos estariam de acordo com em rejeitar a exibição do documentário, o que foi acatado por 18 votos a 1.

Atos de vandalismo e ameça

Panfletos que divulgavam o evento começaram a ser retirados e rasgados por militantes comunistas da universidade. Os organizadores do evento ainda afirmam que um dos professores do Universidade teria ameaçado acadêmicos que desejassem promover o evento afirmando, segundo eles, que “cabeças irão rolar“.

Nesta sexta-feira, 29/03, os organizadores do evento buscaram informações junto ao Centro de Geografia referentes aos boatos que circulavam por toda universidade que a liberação do espaço teria sido cancelada. O departamento teria informado que após ter ouvido os centros acadêmicos a decisão foi revertida no CIAC’s e o local não estaria mais à disposição. Ao invés disso, outro evento seria realizado pelos centros acadêmicos no mesmo dia, horário e local.

“Houve uma ação por parte da UEPB, da instituição sim, de censura e boicote. Eles haviam marcado com a gente o auditório [e deixado] tudo certo. Daí começamos a divulgação do evento. Gastamos dinheiro com cartazes, com o evento; já tínhamos [conseguido] apoio; [as pessoas] já ficaram de vir; promovemos o evento. E hoje, faltando menos de uma semana para o evento – quatro dias -, eles simplesmente cancelaram sem diálogo com a gente quanto tudo já estava preparado [sic].Afirma Samuel Carneiro, um dos organizadores e acadêmico do curso de Administração do 3º Período.

Os estudantes afirmam que houve uma ação orquestrada pela instituição, e que em conjunto com diversos centro acadêmicos iniciaram uma censura a exibição e debate sobre o documentário.

Para o acadêmico Felipe Assis, do curso de Jornalismo, a decisão foi tomada porque, segundo ele, o conteúdo do documentário e do debate não estava “dentro do eixo esquerdista“.

Essa decisão da UEPB, fere a liberdade e o direito dos alunos de poderem assistir um conteúdo referente a História do Brasil, para que assim possamos melhor entender o contexto histórico que culminou com o surgimento do Regimento Militar. ” afirma Felipe, acadêmico do curso de Jornalismo.

Membros do grupo ‘Estudantes Pró-Liberdade‘ acreditam que existem uma ação política de esquerda por trás da decisão do centro universitário, principalmente pelo fator do reitor da UEPB, Antonio Guedes Rangel Júnior, ser filiado ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) desde 15 de dezembro de 1995, e por diversos membros dos centros acadêmicos estarem intimamente ligados a partidos de esquerda, como: PT, PCB e PC do B.

“O departamento do curso simplesmente fechou questão que não ia liberar o auditório pra gente. E, que foi uma decisão totalmente política.” afirma Samuel Carneiro,organizador do evento.
Redação
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